Como o mercado oferece uma grande variedade de modelos, tamanhos e preços, é importante responder a algumas perguntas básicas para evitar a escolha errada e os gastos desnecessários:
- O barco será novo ou usado?
- Será um barco a motor ou a vela?
- Será de fibra, madeira, alumínio ou inflável?
- Vai ser utilizado em águas abrigadas ou em mar aberto?
- A navegação será em água doce, no mar ou em ambos?
- Será um barco para pesca, passeio, viagem, esqui ou alguma outra atividade?
Para fazer a escolha mais acertada, é preciso definir, também, qual tipo de utilização será predominante e quais serão as atividades secundárias.
- Esqui aquático:
Quem quer um barco para esquiar na maior parte do tempo (90%) e passear nas horas vagas (10%), precisa de uma lancha estável, entre 16 e 23 pés, com boa motorização (90hp no mínimo), equipada com plataforma de popa larga (para facilitar a entrada e saída do esquiador), banco do acompanhante (auxiliar / observador) virado para trás, um bom retrovisor e lugar para guardar equipamento.
Já que o esporte é praticado em águas calmas, o casco não precisa ser de proa alta e nem ter o “V” acentuado na popa (características das embarcações chamadas marinheiras, ideais para mar aberto). Em contrapartida, o barco precisa ter boa estabilidade (para suportar os trancos do esquiador), boa dirigibilidade (ágil nas manobras e curvas) e é aconselhável que tenha mastro de reboque central, para diminuir a influência do esquiador no direcionamento do barco.
Importante estar atento às exigências legais para a prática do esqui aquático: o barco deve transportar, no mínimo, três pessoas e o esquiador é obrigado a usar colete salva-vidas.
- Pesca oceânica:
Quem prefere a pesca em alto mar, a até 20 milhas (37 quilômetros) da costa, vai precisar de um barco tipo “utility boat”, de “casco marinheiro” — com um “V” acentuado na popa, sinal de boa navegabilidade; e proa alta, para evitar a entrada de água — construção robusta para agüentar o impacto nas ondas e equipado com comando central, para dar mobilidade ao pescador, especialmente quando este fisga um peixe grande.
A maioria das lanchas de pesca vem com console para a instalação de equipamentos eletrônicos que auxiliam a localização de peixes e cardumes. Além de lugar para guardar equipamento, suporte para as varas, tábua para cortar iscas, geladeiras para iscas vivas, peixes e outras facilidades.
Além das lanchas de comando central, embarcações do tipo walk around (equipadas com uma pequena cabine na proa, mas com boa mobilidade ao redor dela) ou dual console (com a proa aberta e um segundo comando ao lado do piloto) também são apropriadas.
- Mergulho:
Barcos de pesca geralmente servem para mergulho, pois possuem boa plataforma de popa, permitindo que o mergulhador possa desembarcar e embarcar equipado. Mas existem barcos específicos para essa atividade, com espaço amplo, adequado para a guarda do material, além de suportes para prender cilindros de ar.
Vale lembrar que um barco projetado para cinco pessoas, por exemplo, quando usado para mergulho só deve levar três tripulantes e o equipamento, que costuma ocupar muito espaço. A medida é adotada para proporcionar maior mobilidade, conforto e segurança aos mergulhadores.
- Passeio:
Para passeios em águas abrigadas, o ideal é que a lancha tenha muitos assentos e conforto para os passageiros: pára-brisa, capota removível, CD player, geladeiras para comida e bebida, pia, mesinha de apoio, suporte para copos, plataforma de popa com escada, chuveirinho de água doce e, se possível, um bom sanitário.
Existem lanchas de passeio com a proa aberta, para o melhor aproveitamento do espaço a bordo, e também existem modelos com a proa fechada, que oferecem mais conforto, especialmente para passeios mais longos.
Quem quer viajar e pernoitar a bordo vai precisar de cabine e boas acomodações para os tripulantes: quartos, camas e banheiros. Alguns detalhes fazem diferença, como geladeira e armários com travas nas portas; fogão especial com encaixe para que as panelas não caiam quando o mar estiver agitado; pia da cozinha funda para evitar que o balanço derrube a louça; mobiliário com os cantos arredondados; corrimões em lugares estratégicos; box separado nos banheiros; solário com pia, bancada, geladeira e almofadas com prendedores à prova de vento.
- Offshore:
Para quem adora velocidade e adrenalina, uma lancha esportiva, do tipo offshore, é o modelo ideal.
- Bote inflável:
Altamente versáteis, os botes infláveis servem como apoio de embarcações maiores, são excelentes para salvatagem e também podem ser usados para mergulho, pesca e passeio. Possuem características que os tornam imbatíveis em termos de segurança: não afundam, mesmo se completamente alagados e com as câmaras de ar furadas.
Podem ter fundo inflável ou rígido. Os de fundo rígido navegam melhor, mas não são tão práticos quanto os de fundo inflável, mais fáceis de transportar, pois podem ser desmontados e guardados em casa. Aqueles construídos com tecidos à base de hypalon e poliéster são mais resistentes e duráveis do que os feitos com tecidos de PVC, porém custam mais caro.
Vale ressaltar que os infláveis de hoje possuem acessórios e equipamentos que antes eram privilégio apenas das lanchas. Capota, escada, lançadores de âncora e outras facilidades vêm sendo incorporadas, tornando estes barcos extremamente práticos.
- Jet-ski:
Antes de comprar um jet-ski, é preciso saber o que se pretende fazer com a embarcação e quantas pessoas serão transportadas. O mercado oferece desde jets de um só lugar e pilotagem de pé — usados geralmente em competições e manobras radicais — até confortáveis motos aquáticas com capacidade para quatro pessoas.
Há quem opte pelo jet-ski para esquiar. Nesse caso, é necessário escolher um modelo para, no mínimo três tripulantes (piloto, esquiador e auxiliar/observador). Há, ainda, os jetboats, barcos movidos a propulsão hidrojato, fáceis de pilotar e ágeis nas manobras.
- Barco a vela:
No Brasil, apesar de a oferta de barcos a vela ser bem menor do
que de embarcações a motor, o mercado tem opções para todos os gostos. Pequenos monotipos para uma pessoa, como o Laser ou o Holder; ou para dois tripulantes, como o Dingue, podem ser levados no bagageiro do carro. Um pouco maiores, os catamarãs Hobie Cat 14 ou Hobie Cat 16 precisam de carreta para ser transportados, mas podem levar mais tripulantes e podem proporcionar muita diversão e aventura.
Já os barcos maiores e cabinados, com mais de 30 pés (9 metros) são ideais para pernoites e cruzeiros, pois oferecem relativo conforto, além de boa estabilidade. Ainda que movidos pelo vento, veleiros deste porte precisam de motores confiáveis para a navegação durante as calmarias e também para facilitar as manobras.
Para que não haja engano na hora da compra de um barco a vela, é importante ter certeza do que se pretende com a embarcação: uma viagem de volta ao mundo, um cruzeiro médio pela costa brasileira ou apenas passeios mais curtos de final de semana? Serão velejadas em solitário? Quantas pessoas estarão a bordo na maioria das vezes?
Outra questão fundamental antes da compra é conhecer as características básicas da marina ou clube onde o barco ficará guardado. Detalhes como a profundidade mínima, tamanho das vagas secas e molhadas, os mecanismos de retirada do barco da água, capacidade do guindaste, se há oficina de reparos e infra-estrutura de manutenção. É bom levar em conta as condições de mar e vento da região onde se pretende navegar, já que alguns barcos podem não ser tão versáteis quanto se imagina.